O que é · Ser de esquerda

O que é ser de esquerda?

Ser de esquerda é defender que a redução das desigualdades seja uma prioridade da política, em geral com mais participação do Estado: impostos progressivos, serviços públicos amplos e proteção ao trabalhador. O termo vem da Revolução Francesa, quando os deputados favoráveis às mudanças sentavam à esquerda.

Fontes: Encyclopaedia Britannica — Left ↗ · Encyclopaedia Britannica — Political spectrum ↗

Revisado em 17 de outubro de 2026 · texto neutro, com a fonte de cada trecho

De onde vem

Na Assembleia francesa de 1789, quem apoiava as mudanças revolucionárias sentava à esquerda do presidente. Desde então, a esquerda ficou associada à contestação da ordem estabelecida e à busca de igualdade.

Fonte: Encyclopaedia Britannica — Political spectrum ↗

No século 19, com a industrialização, a esquerda se aproximou do movimento operário e do socialismo, a ideia de que os grandes meios de produção devem ser controlados pela sociedade ou pelo Estado. No século 20, uma forma radical, o comunismo, chegou ao poder em vários países. A esquerda democrática, por sua vez, se organizou em partidos socialistas, social-democratas e trabalhistas, que disputam eleições até hoje.

Fontes: Encyclopaedia Britannica — Left ↗ · Encyclopaedia Britannica — Socialism ↗

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O que costuma defender

Na economia

Impostos maiores para quem ganha e tem mais, saúde e educação públicas e gratuitas, aumento real do salário mínimo, sindicatos fortes, programas de transferência de renda e presença do Estado em setores como energia e bancos públicos.

Fontes: Encyclopaedia Britannica — Left ↗ · Encyclopaedia Britannica — Social democracy ↗

Nos costumes

Hoje, boa parte da esquerda defende políticas específicas para mulheres, negros e pessoas LGBT, como cotas e leis contra discriminação, além de proteção ambiental e descriminalização das drogas. Mas isso não vale para toda a esquerda, como mostra a seção seguinte.

Não existe uma esquerda só

A divisão mais antiga é entre revolução e reforma. No fim do século 19, o alemão Eduard Bernstein defendeu que o socialismo podia chegar pela via eleitoral, sem revolução. Daí nasceu a social-democracia, que com o tempo passou a aceitar a economia de mercado, regulada e com um Estado de bem-estar amplo.

Fonte: Encyclopaedia Britannica — Social democracy ↗

Outra divisão é entre a esquerda mais focada na economia e a mais focada nos costumes. Uma esquerda tradicional, ligada ao trabalho e aos sindicatos, pode defender Estado forte na economia e ter valores conservadores sobre família e religião. Uma esquerda progressista junta a agenda econômica com a de direitos individuais e de minorias.

A esquerda no Brasil

A Constituição de 1988 tem uma lista ampla de direitos sociais, como saúde, educação, trabalho e previdência, que a esquerda costuma tratar como ponto de partida das suas propostas.

Fonte: Presidência da República — Constituição Federal de 1988 (arts. 1º, 5º, 6º e 170) ↗

Há partidos registrados no TSE com "socialista", "comunista" ou "trabalhista" no nome, mas o nome não basta para saber a posição de um partido. Pesquisadores medem isso com especialistas, como na pesquisa da revista Dados que posicionou os partidos brasileiros numa escala de esquerda a direita (os próprios autores apontam limites do método).

Fontes: Tribunal Superior Eleitoral — Partidos registrados no TSE ↗ · Revista Dados (IESP-UERJ) — Bolognesi, Ribeiro e Codato, Uma nova classificação ideológica dos partidos políticos brasileiros (2023) ↗

O Voto por Ideias não diz quais candidatos são de esquerda. O teste compara as suas opiniões com as propostas de cada um, com fonte.

Críticas e respostas

O que os críticos costumam dizer

Que o Estado grande gasta demais, gera dívida e inflação e atende mal; que impostos altos desestimulam o investimento; e que regimes comunistas do século 20 restringiram liberdades.

Fonte: Stanford Encyclopedia of Philosophy — Conservatism ↗

O que a esquerda costuma responder

Que serviços públicos e transferências de renda reduziram a pobreza onde foram aplicados; que o mercado sozinho não corrige desigualdades de origem; e que a esquerda democrática, que disputa eleições, não se confunde com aqueles regimes.

Fonte: Encyclopaedia Britannica — Social democracy ↗

Dá para ser de esquerda só em parte

No teste do Voto por Ideias, economia e costumes são dois eixos separados. Dá para defender mais Estado na economia e valores tradicionais nos costumes, ou mercado livre e liberdade individual em tudo. Rótulo nenhum dá conta de uma pessoa inteira.

Perguntas frequentes

O que defende quem é de esquerda?

Em geral, mais igualdade com ajuda do Estado: impostos progressivos, saúde e educação públicas, proteção ao trabalhador e programas sociais. Nos costumes, boa parte da esquerda atual defende políticas específicas para grupos discriminados, mas há uma esquerda mais conservadora nesses temas.

Ser de esquerda é o mesmo que ser comunista?

Não. O comunismo é a corrente mais radical da esquerda. A maior parte da esquerda que disputa eleições em democracias é socialista democrática, social-democrata ou trabalhista.

Qual a diferença entre esquerda e centro-esquerda?

A centro-esquerda compartilha o objetivo de reduzir desigualdades, mas com propostas mais moderadas: mais regulação do que estatização, mais reforma do que ruptura. É o campo da social-democracia.

Fontes

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