O que é · Esquerda e direita
O que é esquerda e direita?
Esquerda e direita são os dois polos mais usados para descrever posições políticas. Em geral, a esquerda dá mais peso à igualdade e à ação do Estado para reduzir diferenças sociais; a direita dá mais peso à liberdade econômica, à propriedade, à ordem e às tradições. Os termos nasceram na Revolução Francesa, em 1789.
Fontes: Encyclopaedia Britannica — Political spectrum ↗ · Encyclopaedia Britannica — Left ↗ · Encyclopaedia Britannica — Right ↗
Revisado em 17 de outubro de 2026 · texto neutro, com a fonte de cada trecho
De onde vêm os termos
Em 1789, quando a Assembleia Nacional francesa se reuniu em Versalhes, os deputados que apoiavam as mudanças revolucionárias se agruparam à esquerda do presidente da sessão, e os que apoiavam a monarquia, à direita. O lugar das cadeiras virou o nome das posições.
No século 19, "direita" passou a designar quem defendia a autoridade, a tradição e a propriedade. "Esquerda" passou a designar os socialistas e quem defendia os interesses dos trabalhadores diante das elites tradicionais.
Fontes: Encyclopaedia Britannica — Right ↗ · Encyclopaedia Britannica — Left ↗
O filósofo italiano Norberto Bobbio, no livro Direita e Esquerda (1994), defendeu que a distinção sobrevive porque tem um critério estável por trás: a atitude diante da igualdade. A esquerda tende a ver a maior parte das desigualdades como sociais e corrigíveis; a direita tende a aceitar parte delas como naturais, ou como resultado de escolhas e méritos diferentes, e vê na tentativa de eliminá-las um risco para a liberdade. Bobbio também separava esse eixo de outro, o de moderados contra extremistas: há versões moderadas e radicais dos dois lados.
Fontes: Norberto Bobbio — Direita e Esquerda: razões e significados de uma distinção política (Editora Unesp, 1995) · Revista Destaques Acadêmicos (Univates) — resenha de Direita e Esquerda, de Norberto Bobbio (2015) ↗
E você, é de esquerda, de direita ou de centro?
Fazer o testeO que cada lado costuma defender
Esquerda
Na economia, impostos que pesam mais sobre quem ganha mais, serviços públicos amplos, proteção ao trabalhador e mais presença do Estado em setores considerados estratégicos. Nos costumes, a esquerda de hoje costuma defender políticas específicas para grupos discriminados, como cotas, e a laicidade do Estado.
Fontes: Encyclopaedia Britannica — Left ↗ · Encyclopaedia Britannica — Socialism ↗
Direita
Na economia, impostos menores, menos regulação, privatizações e confiança na livre iniciativa para gerar crescimento. Nos costumes, a direita conservadora valoriza a família tradicional, a religião e penas mais duras contra o crime; a direita liberal tende a deixar essas escolhas para o indivíduo.
Fontes: Encyclopaedia Britannica — Right ↗ · Encyclopaedia Britannica — Liberalism ↗ · Encyclopaedia Britannica — Conservatism ↗
Uma linha só não basta
Muitos pesquisadores acham a linha única simples demais. O psicólogo Hans Eysenck propôs um modelo de dois eixos, e institutos como o Gallup classificam as pessoas por ideias econômicas e sociais separadamente. Esses modelos também têm críticos, que questionam a base científica deles.
É por isso que um mesmo eleitor pode misturar: ser a favor de mais gasto público em saúde e contra a legalização da maconha, ou defender privatizações e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Quem mistura não está confuso; só não cabe numa linha reta.
No teste do Voto por Ideias, economia e costumes são dois eixos separados. Dá para defender mais Estado na economia e valores tradicionais nos costumes, ou mercado livre e liberdade individual em tudo. Rótulo nenhum dá conta de uma pessoa inteira.
Esquerda e direita no Brasil
A Constituição de 1988 reúne ideias associadas aos dois lados: põe a livre iniciativa e a propriedade privada entre os princípios da ordem econômica e, ao mesmo tempo, lista como direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho e a previdência.
Fonte: Presidência da República — Constituição Federal de 1988 (arts. 1º, 5º, 6º e 170) ↗
Para situar partidos, pesquisadores costumam ouvir especialistas. Em pesquisa publicada na revista Dados, 519 cientistas políticos posicionaram os partidos brasileiros numa escala de 0 (esquerda) a 10 (direita), em 2018. O nome nem sempre ajuda: o partido Progressistas (PP), por exemplo, ficou do lado direito da escala. Os próprios autores apontam limites do método. Partidos mudam de nome e de posição com o tempo, então vale consultar a pesquisa e a lista oficial de partidos do TSE.
Fontes: Revista Dados (IESP-UERJ) — Bolognesi, Ribeiro e Codato, Uma nova classificação ideológica dos partidos políticos brasileiros (2023) ↗ · Tribunal Superior Eleitoral — Partidos registrados no TSE ↗
O Voto por Ideias não classifica candidatos como de esquerda ou de direita. O que o site faz é comparar as suas respostas com as propostas registradas, tema por tema, com a fonte de cada posição.
Críticas que cada lado recebe
O que a direita costuma criticar na esquerda
Que um Estado grande gasta demais, aumenta a dívida e desestimula quem empreende; e que projetos de transformar a sociedade de uma vez subestimam o valor das instituições e da experiência acumulada.
O que a esquerda costuma criticar na direita
Que o mercado sem regulação concentra renda e poder; e que cortes de gastos sociais pesam mais sobre os mais pobres.
Fontes: Encyclopaedia Britannica — Liberalism ↗ · Revista Destaques Acadêmicos (Univates) — resenha de Direita e Esquerda, de Norberto Bobbio (2015) ↗
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre esquerda e direita?
Em resumo: a esquerda prioriza a igualdade e tende a defender mais ação do Estado para reduzir desigualdades; a direita prioriza a liberdade econômica, a propriedade e a ordem, e tende a confiar mais no mercado e nas tradições. Nos costumes, as posições variam dentro de cada lado.
De onde vêm os termos esquerda e direita?
Da Revolução Francesa. Em 1789, na Assembleia Nacional, os deputados favoráveis às mudanças sentavam à esquerda do presidente da sessão, e os que apoiavam o rei, à direita.
Dá para ser de esquerda na economia e conservador nos costumes?
Dá. Economia e costumes são questões diferentes, e muita gente combina posições dos dois lados. Por isso o teste ideológico do Voto por Ideias usa dois eixos, e não uma linha só.
Como saber se sou de esquerda ou de direita?
Uma forma é responder a afirmações sobre temas concretos, como impostos, privatizações, aborto e segurança, e ver para onde as respostas puxam. É o que faz o teste ideológico do Voto por Ideias: grátis, sem cadastro, com o resultado num mapa de dois eixos.
Fontes
- Encyclopaedia Britannica — Political spectrum ↗
- Encyclopaedia Britannica — Left ↗
- Encyclopaedia Britannica — Right ↗
- Norberto Bobbio — Direita e Esquerda: razões e significados de uma distinção política (Editora Unesp, 1995)
- Revista Destaques Acadêmicos (Univates) — resenha de Direita e Esquerda, de Norberto Bobbio (2015) ↗
- Encyclopaedia Britannica — Socialism ↗
- Encyclopaedia Britannica — Liberalism ↗
- Encyclopaedia Britannica — Conservatism ↗
- Presidência da República — Constituição Federal de 1988 (arts. 1º, 5º, 6º e 170) ↗
- Revista Dados (IESP-UERJ) — Bolognesi, Ribeiro e Codato, Uma nova classificação ideológica dos partidos políticos brasileiros (2023) ↗
- Tribunal Superior Eleitoral — Partidos registrados no TSE ↗
- Stanford Encyclopedia of Philosophy — Conservatism ↗
Texto escrito pelo Voto por Ideias a partir dessas obras de referência, sem copiar trechos. As críticas resumem o que cada lado costuma dizer, com o mesmo espaço para os dois, e não são a opinião do site. O site não classifica candidatos.
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