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Indicadores · Banco Central do Brasil

Resultado primário do setor público em 12 meses (% do PIB)

-0,62% do PIBagosto de 2026 · dado mais recente · mensal

A diferença entre o que o setor público (União, estados, municípios e estatais) arrecadou e o que gastou nos últimos 12 meses, sem contar os juros da dívida, como proporção do PIB. Positivo é superávit; negativo é déficit. O Banco Central publica a série com o sinal contrário (necessidade de financiamento); aqui o sinal foi invertido para facilitar a leitura.

Desde 2002

Resultado primário do setor público em 12 meses (% do PIB): de 3,31% do PIB em novembro de 2002 a -0,62% do PIB em agosto de 2026.Recessão de 2003 (CODACE)Recessão de 2008–2009 (CODACE)Recessão de 2014–2016 (CODACE)Recessão de 2020 (CODACE)-10-505200420082012201620202024Lula 1Lula 2Dilma 1Dilma 2TemerBolsonaroLula 311. Crise financeira global22. Teto de gastos33. Reforma da Previdência44. Pandemia de covid-1955. Novo arcabouço fiscal

As linhas tracejadas marcam o começo de cada mandato presidencial. As faixas cinzas são recessões, segundo a datação do CODACE (FGV). Valor mensal; nas séries diárias, o último dia de cada mês.

  1. 1Crise financeira global (15/09/2008): o banco americano Lehman Brothers pede falência, e o crédito trava no mundo todo.
  2. 2Teto de gastos (15/12/2016): promulgada a Emenda Constitucional 95, que limita o crescimento da despesa federal à inflação.
  3. 3Reforma da Previdência (12/11/2019): promulgada a Emenda Constitucional 103, que muda as regras de aposentadoria.
  4. 4Pandemia de covid-19 (11/03/2020): a Organização Mundial da Saúde declara pandemia; o primeiro caso no Brasil fora confirmado em 26/02/2020.
  5. 5Novo arcabouço fiscal (30/08/2023): sancionada a Lei Complementar 200, que substitui o teto de gastos por novas regras para a despesa.

Resultado primário por governo: ao assumir e ao sair

“Ao assumir” é o último valor antes da posse; “ao sair” é o último dentro do mandato. Os números dependem de muitos fatores; a tabela não atribui causa a ninguém.

MandatoPeríodoAo assumirAo sair
Lula (1º mandato)2003–20063,19% do PIBdezembro de 20023,15% do PIBdezembro de 2006
Lula (2º mandato)2007–20103,15% do PIBdezembro de 20062,62% do PIBdezembro de 2010
Dilma Rousseff (1º mandato)2011–20142,62% do PIBdezembro de 2010-0,56% do PIBdezembro de 2014
Dilma Rousseff (2º mandato)Afastada em 12/05/2016; o impeachment foi concluído em 31/08/2016.2015–2016-0,56% do PIBdezembro de 2014-2,47% do PIBmaio de 2016
Michel TemerPresidente interino de 12/05 a 31/08/2016.2016–2018-2,47% do PIBmaio de 2016-1,55% do PIBdezembro de 2018
Jair Bolsonaro2019–2022-1,55% do PIBdezembro de 20181,25% do PIBdezembro de 2022
Lula (3º mandato)2023–hoje1,25% do PIBdezembro de 2022-0,62% do PIBagosto de 2026 · em curso

Entenda

O que é
O resultado primário é a diferença entre o que o setor público arrecada e o que gasta, sem contar os juros da dívida. Se arrecada mais, há superávit primário; se gasta mais, há déficit primário. É mostrado como proporção do PIB, acumulado em 12 meses.
Como é medido
O Banco Central calcula o resultado a partir do financiamento de que o setor público consolidado precisou, que reúne governo federal, estados, municípios e empresas estatais (sem Petrobras, Eletrobras e os bancos públicos). Ele publica essa série todo mês, junto das estatísticas fiscais, normalmente perto do fim do mês, com dados do mês anterior. O BC divulga o dado como Necessidades de Financiamento do Setor Público (NFSP), com sinal contrário: o déficit aparece positivo. Neste site, o sinal foi invertido, então valor positivo significa superávit.
Por que importa
O resultado primário mostra se o setor público consegue pagar suas despesas do dia a dia com a própria arrecadação. Quando há superávit, sobra dinheiro para ajudar a pagar a dívida; quando há déficit, a dívida precisa crescer para cobrir a diferença. Isso afeta o espaço para investimento e para serviços públicos e influencia a confiança de quem empresta ao governo.
O que faz mudar
A arrecadação sobe e desce com o ritmo da economia, com a inflação e com mudanças em tributos. Receitas pontuais, como concessões, dividendos e arrecadação extraordinária, podem mudar o resultado de um período. Do lado dos gastos pesam pessoal, benefícios previdenciários e sociais, saúde, educação e investimentos. Pagamentos que se concentram em certos meses, como precatórios, também movimentam o dado.
Cuidados na leitura
Há medidas diferentes de resultado: o primário do governo central, divulgado pelo Tesouro Nacional, não é igual ao do setor público consolidado do Banco Central. Há ainda o resultado nominal, que inclui os juros. Receitas e despesas extraordinárias podem distorcer o resultado de um período, e a divisão pelo PIB faz o número mudar também quando o PIB é revisado.

Perguntas frequentes

O que é superávit primário e déficit primário?

Superávit primário é quando o setor público arrecada mais do que gasta, sem contar os juros da dívida. Déficit primário é o contrário: gasta mais do que arrecada. O resultado primário mostra a situação das contas do dia a dia, antes do peso dos juros.

Qual a diferença entre déficit primário e nominal?

O primário não conta os juros da dívida. O nominal conta: é o resultado primário menos os juros pagos. Por isso o déficit nominal costuma ser maior do que o primário quando a dívida e os juros são altos.

Por que o resultado primário é medido em relação ao PIB?

Porque comparar o resultado com o tamanho da economia permite ver a evolução ao longo do tempo, sem distorção pela inflação, e comparar com outros países. Um mesmo valor em reais pesa menos em uma economia maior.

Fonte e dados

Banco Central do Brasil, série 5793 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS). Atualizada todo dia por um programa que lê a fonte oficial; nenhum valor é digitado à mão.

Baixar a série completa (CSV)Ver na fonte oficial

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